Érika Camargo

(Foto: Érika Camargo)

Está previsto para o primeiro trimestre de 2017 o fechamento da agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Régis Pacheco, Centro de Vitória da Conquista. Ao todo serão 12 agências fechadas na Bahia, além de 33 outras que serão transformadas em postos de atendimento. Segundo o Banco do Brasil, serão 402 agências desativadas em todo o país. Essa é uma das medidas apresentadas para a reestruturação do banco.

Paulo Caffarelli, presidente da instituição, justifica a decisão com a economia dos gastos administrativos e incentivo ao serviço bancário digital. “O ponto mais importante desse processo se chama eficiência operacional. Estamos nos readequando para um novo momento, para uma nova era de competição bancária onde a participação digital vai ter predominância e nós precisamos readequar os nossos custos administrativos”, declara, em entrevista a NBR (TV do Governo Federal).

Efeitos em Vitória da Conquista

Os efeitos do fechamentos das agências bancárias foi tema de audiência pública na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista na terça-feira da semana passada (20). Representantes da Federação dos Bancários Bahia/Sergipe, Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista, funcionários de bancos e membros da sociedade civil participaram da sessão. A audiência foi solicitada pelo Sindicato dos Bancários.

Em uma sessão esvaziada, essa medida foi amplamente rejeitada por representantes de todas as categorias presentes. Nenhum dos que falaram ao microfone na plenária se posicionou a favor. Essa decisão, segundo citado na audiência, foi tomada “de cima para baixo e sem diálogo”. O secretário geral da Federação dos Bancários, Hermelino Neto, declarou que “essa reestruturação representa um grande retrocesso para as empresas públicas e para a sociedade”.

(Foto: Érika Camargo)

A agência da Régis Pacheco atende atualmente o Bairro Sumaré e o lado oeste da cidade, formado pelo Bairro Brasil, Ibirapuera, entre outros vários. Tem hoje 9 mil clientes e atende 12 mil pessoas. O fechamento, denunciam os representantes do sindicato, além de prejudicar os clientes, que terão que se locomover a locais mais distantes, acarretará também no aumento de demanda nas agências que restarão. “O Banco do Brasil já vem com acúmulo de serviço muito grande e condições ruins de atendimento à população. Essa condição “vai tornar ainda mais precário o atendimento e sobrecarregar os bancários com mais serviço”, afirma Larissa Couto, diretora do Sindicato dos Bancários e funcionária do Banco do Brasil.

O presidente do Sindicato, Paulo Barrocas, disse que “não chama essas medidas de reestruturação, mas sim de ‘destruição’ do Banco do Brasil, que é um projeto do governo de preparar para uma possível privatização”. Barrocas também ressaltou a importância das empresas estatais na implantação e desenvolvimento de políticas públicas. “É certo que alguns trabalhadores serão prejudicados diretamente, trabalhadores terceirizados perderão seu emprego, mas o prejuízo para a sociedade ainda é maior, pelo papel social assumido pelos bancos públicos”.

Além da classe bancária, os vereadores que estavam presentes também se posicionaram contra a medida. Foram eles o presidente da Casa Gilzete Moreira, Andreson Ribeiro, Fernando Vasconcelos (Jacaré), Cícero Custódio e Coriolano Moraes (Professor Cori). Esse último, em fala contundente, afirmou que seria “ingenuidade” desvincular essa determinação do contexto político atual do Brasil. Também se mostrou decepcionado com a quantidade de cadeiras vazias na sessão, afirmando que “o plenário deveria estar lotado”.