Ticiana Cardoso

(Foto: Reprodução – Google)

O desenvolvimento econômico é eminente em Vitória da Conquista. Crescendo mais a cada dia, a cidade tomou proporção maior que o esperado em dez anos, e ela ainda é dependente de um transporte muito antigo, a carroça. A Ceasa, as feirinhas dos bairros Brasil e Alto Maron recebem diariamente alimentos produzidos na região, e os pequenos produtores são alguns dos distribuidores. Para isso, eles dependem das carroças e dos cavalos para transportar seus produtos. Mas não são apenas alimentos, eles também transportam cargas ainda mais pesadas, como materiais para a reciclagem e construção.

No trânsito da cidade, é comum ver os automóveis dividindo espaço com os carroceiros em qualquer horário. Os acidentes não são raros, e em alguns casos, não existe o respeito às leis de trânsito e nem mesmo aos animais. Eles carregam peso em excesso por muitas horas, não são alimentados devidamente e são agredidos constantemente. Quando não aguentam fazer  mais os transportes, são abandonados a céu aberto em terrenos baldios. Em consequência disso é comum ver animais machucados e em estado grave de desnutrição nas áreas periféricas da cidade.

Infelizmente, não existe um disk denúncia específico para o mau trato animal, apenas o 190 da Polícia Militar, que não podem ajudar de forma adequada, pois não tem estrutura para essa finalidade. Quando algum resgate precisa ser feito, são os protetores voluntários da causa animal que entram em ação, contando com a solidariedade da população para custear as despesas do transporte e recuperação dos bichos. A prefeitura por sua vez, diz não ter verba para construir o centro de zoonoses. Centro este, que poderia abrigar e recuperar animais de diversas espécies. A única providência tomada foi a criação de um curral municipal, na estrada que liga Vitória da Conquista a Anagé.

No Rio Grande do Sul, em Santa Cruz do Sul, foi criado um projeto de forma experimental, visando melhorar a vida do carroceiro e do animal, além de oferecer mais segurança a todos. O projeto Cavalo de Lata foi criado por Jason Duani Vargas, também carroceiro, e pretende reduzir a circulação de veículos com tração animal. O “Cavalo de Lata” é instrumento de trabalho dos recicladores cooperativados do município. A estrutura metálica com carroceria para levar o lixo foi criada com a finalidade de acabar com a exploração dos animais, e qualificar o trabalho dos catadores, que funciona de forma híbrida: no pedal ou a motor elétrico. A velocidade máxima do protótipo pode chegar a 25 quilômetros por hora. Os custos para a construção de uma unidade do Cavalo de Lata é de 10 mil reais. O projeto foi acolhido por outras prefeituras do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina, e hoje já fazem parceria com o criador para aumentar as unidades em suas cidades.

Existe também a bicicleta adaptada, que consiste em uma carroça acoplada a uma bicicleta. Mas, neste caso, é exigido mais esforço físico do condutor, que terá de subir ladeiras e percorrer grandes distâncias com a carga.

É sabido, que a prefeitura de Vitória da Conquista em seu último governo utilizava dos serviços dos carroceiros para recolher lixo urbano. Entramos e contato com a assessoria do novo prefeito, para saber se eles mantiveram a contratação e qual o tratamento é dispensado aos animais, mas até o fechamento desta edição do jornal a secretaria de comunicação não respondeu as questões.

Este é um assunto polêmico e de conhecimento público. Mas, não é proibindo o tráfego de carroças e nem criando curral para abrigar animais machucados e famintos, sem qualquer tipo de assistência, que será resolvido o problema. Para melhorar essas questões, é importante buscar soluções viáveis junto a prefeitura, órgãos públicos e a iniciativa privada, tanto para o trabalhador, quanto para o animal explorado, para que nenhum sofra com as medidas a serem adotadas.