Taís Patez

Vice-prefeita e Secretaria de Desenvolvimento Social de Vitória da Conquista., Irmã Lemos. (Foto:CMVC)

Atuando como forte militante política desde 1978, Irmã Lemos possui vasta experiência e representatividade na política Conquistense, tendo exercido três mandatos no Legislativo Municipal. Em 2016, ao lado do prefeito Herzem Gusmão (PMDB), foi eleita para ocupar a cadeira de vice-prefeita da Suíça Baiana, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Cargo que acumula atualmente com o de secretária de Desenvolvimento Social.

Irmã iniciou sua trajetória política ainda jovem, no antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), opositor do regime militar de 64. Com três mandatos no Legislativo Municipal. No ano de 2000 foi eleita vereadora pela primeira vez, em 2004 foi reeleita pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Em 2008, fundou o Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Vitória da Conquista (MDC) e Região Sudoeste da Bahia, instituição criada para auxiliar as donas de casa. Filiando-se ao PTB em 2009, Irmã foi eleita presidente da comissão provisória do PTB e posteriormente do Diretório Municipal. Em 2012, assumiu, pela terceira vez, o cargo de vereadora na Câmara Municipal.

Sob o comando de Irmã Lemos a Secretaria de Desenvolvimento Social é responsável pelas políticas públicas de Assistência Social e Direitos Humanos, desenvolvidas para a Diversidade Sexual, mulheres, idosos, crianças e adolescentes. Além de atender àqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade e risco pessoal e social. E para debater esses assuntos, Irmã Lemos foi a entrevistada do Jornal a Semana; confira.

A Semana – A Sec. de Desenvolvimento está com cara nova, assim como o governo, quais as metas e o objetivo do setor? Como a Secretaria pretende atuar neste novo governo, na zona urbana e rural? O que vai mudar e o que vai permanecer?

IL – Nessa fase inicial, realizaremos um diagnóstico situacional. Ou seja, analisaremos os dados relacionados aos atendimentos feitos pelos equipamentos da Política de Assistência Social na zona urbana e na zona rural. Ouviremos os trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), os usuários e, principalmente, o Conselho Municipal de Assistência Social. A partir daí, buscaremos compreender quais são as principais necessidades e demandas de cada uma dessas áreas e estruturaremos um plano de ação que possa, verdadeiramente, trazer resultados positivos para o nosso público. Considerando que os serviços socioassistenciais são regulados por lei e que nossa gestão tem compromisso com as diretrizes da Política Nacional de Assistência Social, não haverá retrocesso. Todos os serviços serão mantidos e muitos deles serão reestruturados para melhor atender aos usuários do SUAS.

A Semana – O que a Secretaria tem planejado em relação a geração de emprego e renda às pessoas em situação de vulnerabilidade social?

IL – Primeiro, identificar o público vulnerável. Em seguida, junto com o Acessuas Pronatec, qualificar a mão de obra com cursos de capacitação e estabelecer novas parcerias com órgãos como Senac, Senai e Sebrae. E por fim, Sine Bahia. Podemos ainda desenhar novos cursos e oficinas, criando cooperativas e associações.

A Semana – Sabemos que agora a Coordenação de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBT, estará vinculada ao Gabinete Civil, mas tendo em vista a sua ligação com a Sec. de Desenvolvimento Social desde maio de 2014, como será mantida essa relação? Vocês pretendem continuar atuando em parceria?

IL – Apesar da vinculação ao gabinete civil, isso não muda o compromisso da Política Municipal de Assistência Social com o combate à discriminação e a promoção e defesa dos direitos do público LGBT. Compreendemos que essa questão deve ser tratada com zelo já que a discriminação e outras formas de violência são fatores que intensificam as vulnerabilidades na sociedade. Inclusive, já tivemos duas reuniões com a coordenação Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBT e pactuamos que desenvolveremos diversas ações intersetoriais visando fortalecer a prevenção e o enfrentamento às situações em que há violação de direitos. Criaremos algumas estratégias nas quais os CRAS e os CREAS serão instrumentos eficazes na disseminação da cultura do respeito e na superação dos lastimáveis índices de violência contra esse público especial.

A Semana – São muitas as discussões em torno da mulher e seu papel social, Conquista tem alguns grupos, formados em sua maioria por universitárias, que defendem a equidade de gênero. Mas, embora haja o CRAV, serviço voltado às mulheres em situação de violência, entre outras questões, é fato, que falta o diálogo com a sociedade e com esses grupos independentes. Não seria o momento de a Secretaria criar ambientes de debates e ações mais diversas para estas questões?

IL – A Secretária de Desenvolvimento Social, por meio da Coordenação de Politicas para Mulheres, tem interesse em conhecer esses grupos para que eles possam apresentar as suas pautas e demandas, e a partir daí podermos gerar ambientes de discussões. Acreditamos na importância do diálogo, como também compreendemos que as bandeiras históricas do público feminino precisam ter visibilidade. Essa será uma das questões prioritárias em nossa gestão.